• Pedro Balga

Análise da Expectativa de Crescimento do Varejo em 2021

O que tiramos de lição de 2020 e levamos para 2021?


Após um ano de grande instabilidade econômica devido a instauração da pandemia e prolongamento do período de calamidade pública, o cenário preocupa os varejistas pela redução de confiança do consumidor, incertezas no cenário político e lentidão no processo de vacinação da população.

No momento em que o Brasil enfrenta suas maiores médias de casos e óbitos, com sistemas de saúde sobrecarregados em todo país, parece que estamos mais uma vez enfrentando os desafios vividos no início da pandemia.


O que conquistamos em 2020


Em 2020, o volume de vendas no varejo cresceu 1,2% em relação a 2019. Segundo pesquisa divulgada pelo IBGE, esse é o menor índice do setor desde o triênio (2015-2017), período em que o país passava por outra recessão econômica.



Embora o segmento apresente crescimento em 2020, isso se deu de maneira diferente entre os setores considerados essenciais quando comparados aos não essenciais. O destaque vem dos setores de construção (+10,8%), móveis e eletrodomésticos (+10,6%), artigos farmacêuticos (+8,3%) e hiper/supermercados (+4,8%).


Em contrapartida, o setor de vestuários, calçados e acessórios obteve decréscimo de -22,7%. Além deste, veículos e autopeças (-13,7%) e postos de combustíveis (-9,7%) também tiveram suas operações muito afetadas com as restrições de circulação.




Além disso, o setor automotivo é o setor que mais participa do volume de vendas do comércio varejista, tendo grande impacto na composição do índice do setor (37,8%), seguido pelos hiper e supermercados (15%) conforme o gráfico de participação dos setores.



Fonte: FIA


Os negócios locais, sentiram ainda mais a crise

Outro ponto importante de se observar é que pequenos negócios e negócios locais sofreram ainda mais com a falta dos seus consumidores (devido a restrição à circulação imposta pelas medidas de distanciamento social), isso porque mesmo com auxílios emergenciais de suporte aos empregos e trabalhos voltados a redução de custo, muitos negócios não conseguiram sobreviver à tamanha crise que se estende até os dias atuais. Existe ainda uma disparidade na capacidade de se reinventar para custear as inovações e adaptações necessárias, o que depende de ter uma boa saúde financeira e criatividade para buscar novas soluções.


Lições Aprendidas:


O avanço das empresas em transformação digital e o crescimento do e-commerce

Quando falamos de quem conseguiu superar e crescer em período tão complexo, temos o destaque para o avanço da tecnologia dos negócios, com o grande crescimento do e-commerce e novos canais de vendas. Isso vem acompanhado da mudança do comportamento do consumidor que também se adaptou rapidamente à estas novas facilidades.

Começou a ser discutido e implementado um novo conceito chamado “omnichanel”, que já é bem explorado em outros países mais desenvolvidos como China e EUA, mas que ainda é inaugural no comércio brasileiro, que apresenta uma grande dependência da loja física para a maior parte das suas vendas.

De acordo com a Receita Federal do Brasil (RFB), o e-commerce brasileiro totalizou mais de 224 bilhões de receita em 2020. Isso significa um avanço de 37% diante de 2019. Muito acima do esperado em função de uma nova necessidade. Muitos negócios não podiam mais vender presencialmente em parte do ano, o que gera a necessidade de disrupção. Até mesmo os pequenos mercados que nunca pensaram em vender de outra maneira que não fosse pela loja física, hoje podem vender pelo WhatsApp e podem ter seu e-commerce em plataformas cada vez mais amigáveis e acessíveis.



Além disso, o comportamento do consumidor passa a mudar na mesma velocidade, valorizando iniciativas que facilitam sua experiência de compra e os deixam livres para escolher a melhor forma de comprar e receber seus produtos com segurança e agilidade.

Há uma grande mudança entre O entender o que o seu cliente quer e valoriza em cada momento, e o simplesmente deixar seu canal de vendas estático esperando este cliente vir comprar por necessidade no ponto físico.


Com todas as mudanças no comércio varejista, como fica o cenário de projeção do crescimento em 2021?


Ainda não falamos, mas tem um segundo fator que foi essencial para que o setor fechasse o ano anterior em superavit. O auxílio emergencial foi um ponto chave para uma maior circulação de dinheiro na economia, que foi revertido em mais negócios e capacidade de compra, principalmente das classes menos favorecidas. O terceiro fator importante a ser considerado foi uma grande alta na inflação dos alimentos (+14,2%), refletindo em aumento de preços para o consumidor final. Esse fator já influenciou diretamente no consumo médio de itens que sofreram grandes variações de preço.

Em dezembro, o setor varejista ligou a luz amarela depois de um segundo semestre de boa recuperação e crescimento comparado a 2019. O mês apresentou uma queda de 6,1% em relação a novembro, o que é considerado um fato raro, visto que dezembro historicamente é sempre o melhor mês de resultados do ano.



O que podemos inferir no varejo para 2021?


Primeiramente, já era esperado que não haveria mais o auxílio emergencial a partir de janeiro, levando os consumidores a ter mais cautela, seguindo o avanço da segunda onda do coronavírus no Brasil, o que faz com que a circulação de pessoas seja reduzida e sejam iniciadas novas medidas restritivas à circulação, mesmo agora, com o retorno do auxílio emergencial de forma mais tímida, para menos brasileiros. Tais fatores, combinados com a alta de preços, afetam diretamente a confiança do consumidor, o que reflete na frequência e o volume de compras. Além disso, temos um ambiente propenso a retração do consumo e um momento de elevado desemprego, que alcançou 13,9% em dez/2020).

A Confederação Nacional do Comércio reduziu de 3,9% para 3,5% a expectativa de crescimento do comércio varejista. Esse é um crescimento tímido e muito difícil de ser realizado em virtude do cenário imprevisível do momento. O novo auxílio emergencial, mesmo em menor volume comparado ao ano anterior, pode ajudar os resultados do primeiro semestre, porém, o ponto mais importante para a retomada efetiva da economia e do setor se dará pela amplificação do processo de vacinação e retomada da confiança do consumidor, que são elementos essenciais para a criação de novos empregos e circulação de moeda. Esperamos uma tendência positiva de retomada a partir do segundo semestre, desde que os índices da pandemia estejam controlados e com tendência de queda. Retomada que pode levar a elevação do crescimento do setor acima das projeções ainda em 2021.

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Sobre o autor: Pedro Balga é Head de Inteligência de Dados e Gestão com experiência em grandes varejos do cenário nacional. Atua há mais de 15 anos auxiliando empresas a melhorarem sua performance e rentabilidade implementando métodos de Gestão para Resultados.


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